terça-feira, 25 de outubro de 2016

A fábula do Porco-espinho

O indivíduo pode aprender por meio das experiências afetivas. O conceito de fronteira de contato (abordagem gestáltica), pode ser verificado nesta encantadora fábula. 

Vejamos contato saudável, sem invasão nem afastamento.

 Contato com TATO, cuidado e respeito, assim, todos saem ganhando!
Contato de qualidade uma questão de sobrevivência!

Como tem sido a tua forma de contato com o mundo? 


A fábula do Porco-espinho
.
Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. 

Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha: 

Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. 
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. 

E assim sobreviveram.
.
Moral da História 
.
O melhor do relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.


Comentários

Muitas vezes as pessoas ficam uma vida inteira buscando a pessoa perfeita para se relacionar, e se esquecem de que a perfeição está justamente no lidar com o outro!

Pensando em casal, em se relacionar lembramos dos espinhos dos porcos espinhos. Todos nós possuímos espinhos, que  podem machucar uns aos outros.

Estes espinhos muitas vezes servem como um sinalizador da fronteira entre o que é fácil e o que é difícil para cada um lidar! Relacionar é trazer à tona a intimidade e o envolvimento! Que são duas questões entrelaçadas com as fronteiras de cada um.

Denomina-se fronteiras de contato o local onde o contato é realizado. Segundo Polster & Polster (1979), "é o ponto em que a pessoa experiencia o 'eu' em relação àquilo que não é 'eu' e, através deste contato, ambos são experienciados de uma forma mais clara" (p. 104).

O envolvimento é uma história que precisa ser descrita no ponto de vista dos dois e ao mesmo tempo respeitada por ambos. Os dois estão certos em suas verdades, elas são únicas, e também são materiais que contemplaram seus treinamentos de vida até os dias atuais.

Porém, o foco da terapia de casal é desenvolver uma sincronia entre os olhares e sorrisos, entre o que cada um conhece de si e do outro . Entre o que se pode  levar para esta relação como recurso para facilitar essa dança do conhecimento.

A terapia de casal ainda é pouco difundida, porém geralmente quem busca esse tratamento se beneficia bastante.

Acredito que essa dificuldade de buscar ajuda faz todo o sentido, pois já é tão difícil se relacionar com o parceiro, incluir uma nova percepção é permear pela ótica do relacionar.

Cabe aqui ressaltar que o terapeuta de casal tem recursos que podem ajudar o casal  a vislumbrar uma vida a dois mais funcional e com maior qualidade de vida! 

Processo de contato e relação dialógica (YONTEF, 1998): contatar é o ato de uma pessoa reconhecer o que é seu elemento psíquico e o que é o do outro pelo movimento de conectar-se e afastar-se do outro. É pelo movimento que se tem consciência do processo da vida, do contrário ela se torna um hábito, mera repetição. Como diz Yontef (1998, p. 237), "o contato é o processo básico do relacionamento. Ele proporciona a verificação da diferença entre o self e o outro". 

Texto de: Daniela Cracel

Referências:

YONTEF, G. M. Processo, diálogo e awareness: ensaios em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 1998.          
POLSTER, E. & POLSTER, M. (1979) Gestalt Terapia Integrada. Belo Horizonte: Interlivros.