segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Abordagem Dialógica



Relacionar envolve mais do que um ser, é uma troca de algo, de tal modo que a presença do outro confirma a minha existência. No encontro dialógico PRESENÇA é o movimento de “voltar-se para o outro, vê-lo em sua integralidade”.  É ESTAR PRESENTE!
A capacidade de experienciar  o que o outro está vivenciando, possibilita uma proximidade. Como um movimento de ir-e vir, no qual o terapeuta não perde o centro da sua essência. Tal movimente é nominado por Buber de INCLUSÃO. Não pode ser forçado, apenas deixar-se disponível tanto quanto possível.
A CONFIRMAÇÃO capacita o ser humano a centrar na própria existência. A confirmação, nos anos iniciais do desenvolvimento, nutre no indivíduo a auto confiança. Reconhecimento da própria existência. A busca desesperada da confirmação, quando a pessoa não reconhecida como é, pode leva-la a “parecer” como ela imagina que o outro a aceita, criando um falso EU. Resultando em um círculo vicioso onde a falta não vai ser preenchida e reforça o comportamento “falso eu” numa busca de reconhecimento.
Compartilho fragmento de texto que escrevi em outras estações ao qual em outras palavras, a importância da CONFIRMAÇÃO fica evidenciada:
A praia já esta tomada pelos banhistas, e as crianças equipadas com pás e baldes cavam buracos na areia. Observo ao longe uma menina de cabelos claros esvoaçados com a franja caindo aos olhos, pela estrutura física e desenvoltura acredito ter por volta de três anos de idade. Seu castelo de areia, ao lado do guarda-sol da família, vai tomando forma com o auxílio de outras crianças maiores. A dedicação que ela dá a sua empreitada totalmente focada na construção é admirável. Como se nada mais existisse ao seu redor, até o momento em que um adulto caminha com passos fundos ao seu lado. Imediatamente a criança muda o foco de sua atenção, e põe-se de pé, quase cambaleando. 
Seu novo desafio consiste em explorar as marcas de pegadas deixadas há poucos instantes ao seu lado. Pés maiores do que o seu, marcam a areia macia. Cuidadosamente a pequena criança mira acertar seu pé no centro da pegada maior, e emite gritos de alegria quando o seu objetivo é alcançado. Estaticamente parada, fica a contemplar o grande feito, preparando-se para seguir a caminhada vincada na areia. Seus pais ao lado, acreditam na brincadeira e incentivam a atividade, ora segurando sua frágil mãozinha, outrora emitindo palavras positivas. 
Cenas como esta passam despercebidas no dia a dia comum, mas quando instigadas a sua observância mais profunda percebe-se a importância no desenvolvimento da criança. A imitação é parte essencial no formato de aprendizagem que ocorre nesta faixa etária, que além de desenvolver a coordenação motora, também incide positivamente sobre aspectos emocionais. As atitudes de incentivo e as palavras reforçadoras dos pais, nesta pequena brincadeira, são motivadores de confiança e autoconhecimento, fatores que na vida subsequente incidem sobre a formação da autoestima com reflexo nos comportamentos (OECHSLER, 2012).

A COMUNICAÇÃO GENUÍNA refere-se a uma comunicação sincera, sem reservas, livre de manipulação ou controle do meio. Dizer honestamente o que sente, percepções. Um exercício de contato consigo e com o meio.
A compreensão das palavras princípios “Eu-Tu e Eu-Isso”, conforme nos apresenta Buber, vai além do significado gráfico dos símbolos, envolvem todos os sentidos. Estão intrínsecas de formas opostas na relação com o outro. O Eu-Tu denota uma conexão, de acolhida, de estar plenamente presente com o outro (sem objetivar) enquanto que a intercorrência do Eu-Isso separa, racionaliza, um contato para um não-Eu, possibilitando alguma ação.
O encontro Eu-Tu é um momento que abrange a alternância Eu-Tu e Eu-Isso, espontâneo. De modo que em processo prático de clínica, com uma atitude Eu-Tu, é possível preparar e se dispor para o momento Eu-Tu, mas ele (momento) apenas ocorrerá quando os dois seres da relação puderem se encontrar, um encontro genuíno, estar totalmente absorto pelo outro. A atitude Eu-Tu, é a ação de estar disponível, o momento Eu-Tu é o presente, quando acontece o encontro; enquanto o Eu-Tu é vivencial, o Eu-Isso organiza este vivido (pensar sobre). A organização da existência no tempo e no espaço ocorre no Eu-Isso,
            Primordial mencionar a interdependência dos tópicos acima mencionados, ao qual aspectos de Presença, Inclusão, Confirmação e Comunicação Genuína se entrelaçam de forma dinâmica se interpondo uma à outra, separadas de forma didática para compreensão. A vivência ou falta da mesma, infere significativamente no comportamento da pessoa, que como ser único em sua constituição, há de significar e apreender segundo as suas possibilidades existenciais. Um amadurecimento que tende a percorrer ao longo da vida.

Referência:

Material didático (apostila do power point) disponibilizado em decorrer do módulo e anotações feitas.

OECHSLER, Mariane Manske. Passo a passo. In: http://tintadotinteiro.blogspot.com.br/search/label/Viva%20Blush

Por: Mariane Manske Oechsler  em fev/2015