segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ecopsicologia e Gestalt Terapia – a dimensão clínica da (des)conexão Ser humano/Natureza



Sobre o experimento mais significativo no encontro de Ecopsicologia e GT

Nos organizamos através de crenças fundantes, que dão estabilidade para visão de mundo, e questionar estes introjetos é uma tarefa muito difícil. Questionar o que estou vendo incita a reflexão, me permite olhar diferente, possibilita descobrir o meu jeito de olhar. A experiência vivenciada no parque, promoveu a reflexão. O momento de contato com o meio, mais especificamente com a natureza foi importante. Inicialmente choca, em seguida nutre. Choca pelo dar-me conta do quão distante eu me encontrava, fechada em mim mesma, o quanto introjetos sociais estavam me empurrando para uma corrida desenfreada tentando atender necessidades que eu acreditava serem primordiais. Estar awareness do momento presente, e vivenciá-lo, deixar ser tocada e tocar. Fluidez de sentimentos puderam brotar, avivando algo que estava torpe. Pude ficar atenta para o que as formas de contato podem captar, e sentir, degustar e vivenciar esta troca com o campo. Relação esta, descrita por Yontef (1993, p.185) quando define campo: “Uma totalidade de forças mutuamente influenciáveis que, em conjunto, formam uma fatalidade interativa unificada”. Em alguns instantes pude sentir uma harmonia, em relação com o meio. Místico ou não, o sentimento de acolhida, aceitação, amparo e ao mesmo tempo força e motivação agitaram-se dentro de mim.
            Nesta reflexão reafirmo meu desejo, na ampliação do meu espaço de estudo e atendimento. Considerando que todo contato produz crescimento, também o contato com o campo/meio tende a nutrir. O desejo de trazer a plantas, a terra, a água, acesso a brisa e ao sol, possibilidade de manusear o barro, areia. Mesmo que de forma gradual, anseio por construir um espaço harmônico com a natureza, um espaço que me nutra, mas que possa ser usado de forma terapêutica. Encantamento com o simples, uma freada na agitação que ruge e destrói. Foi a confirmação que tive ao refletir durante o experimento junto a árvore na praça. Sua formação, com lascas que no meu simbólico registram sofrimento e superação; suas raízes expostas, evidenciam força; seus contornos e folhas, encantamento; e o conjunto tocou em mim muita paz. O pequeno jardim que mantenho, já me proporciona este alimento, ao qual não havia me dado conta, confirmando que o meio influencia o indivíduo, ou seja, a mim.
            O tema sobre desrespeito com o ambiente, já era conhecido, mas não com este enfoque. De que a qualidade de vida do ser humano está sofrendo consequências impactantes resultantes da hiper-urbanização, porém não havia percebido, que sendo este mesmo humano que está produzindo sua destruição, poderia ser considerado Ecocídio, ou como define Bilibio “atos de autodestruição através da destruição dos sistemas de vida de que se depende”.
            O que me chega neste momento é a frase de Mario Quintana:

“O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você”.

           

Referência:
Aula de especialização e experiência vivenciada.

Por Mariane Manske Oechsler em dez/ 2015