segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Entre a Neurose e a Psicose: os Transtornos em Gestalt Terapia



Por Mariane Manske Oechsler   fev / 2015

A Gestalt Terapia olha o sujeito e suas manifestações buscando compreender a dinâmica nas relações organismo/meio.  A compreensão de Transtorno pela linguagem de psicodiagnóstico (descrição generalizada de sintomas em grupos distintos), com enfoque do olhar gestáltico possibilita a interação com profissionais de outras áreas afins, e oportuna um delinear partindo do generalizado para o individual e este, em sua forma de contato. Ou seja, da generalidade das ocorrências de campo, garantindo a compreensão das singularidades das vivencias do sujeito, não reduzindo-o ao sintoma. De tal modo que pode servir como norteador para o terapeuta em reconhecer sua posição neste campo terapêutico, frente as interrupções de contato apresentadas.
A percepção de Transtorno para Gestalt-Terapia envereda entre as dificuldades que o sujeito apresenta frente sua adaptação ou não no ambiente em que vive. Algumas pessoas com transtornos conseguem ter uma organização na vida, enquanto que outras não, causando grande prejuízo para o sujeito e seu entorno. A qualidade de funcionamento do sujeito está relacionada com sua historicidade, ou seja, a dinâmica do campo vivencial da pessoa, e varia em graus de dificuldade de leve à grave, levando ao impedimento nas relações.
Nos transtornos ocorre a fixidez das funções Ego e Id na interrupção de contato. Quando a excitação emerge, a figura que se apresenta é fixa e o fundo que irá sustentá-la também. Os registros das experiências vivenciadas na grande maioria estão carregados de violência e opressão; juízo de valores sobre erros cometidos, desvalia. Contato distorcido com o meio e/ou consigo mesmo.
Olhar o sujeito em seu contexto e compreender o ajustamento criativo utilizado para o contato com o meio, suas interrupções e forma de relacionar; sem a criticidade de valores, ou seja, olhar o sujeito por ele próprio, eis o desafio do terapeuta. Acolher e validar a pessoa, possibilitar novas experiências de vivencias com outras formas. Reconhecê-lo enquanto sujeito que age no meio e pode ser tocado por este meio de forma saudável.
Referência:
SCHILLINGS, A. Entre a Neurose e a Psicose: os Transtornos em Gestalt Terapia. Material didático disponibilizado em aula. 2014.