segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ética, uma questão de escolha



Compreendo Dialógico como a vivência que ocorre na fronteira de contato (verbal ou não) entre dois seres humanos, percebidos em sua singularidade (não-eu) em um determinado contexto. Uma alternância de separação e proximidade: separação na qual percebo o outro como um não-Eu, respeitando-o em sua individualidade; e proximidade ao estar tanto quanto possível presente/disponível na relação com este outro.
A ética volta-se para o foco do cumprimento de normas e regras, regidos mediante uma cultura social, visando organização, padronização e controle. É importante, porém voltada para a ação, diante de um coletivo; a ética na sua prática terapêutica, não pode engessar a pessoa, ela possibilita a acolhida do outro como inclusão.
Diante do exposto relato evento ocorrido em entrevista inicial: Cliente mulher de aproximadamente 30 anos, relata evento recorrente que lhe causa sofrimento, mas não consegue superar. Durante o relato, houve proximidade do sentimento, principalmente pela demanda eminente ser tópico que estava trabalhando em minha terapia. Pude acolher a sua dor e sofrimento, pela compreensão da mesma, reconhecendo como autores independentes. Neste contexto ficou claro a diferenciação (não-eu) no relato da história, alternando com a proximidade que minha vivência possibilitou contatar, numa relação livre de julgamentos e confirmação da dor. Embora tenha ocorrido um contato genuíno, precisei informá-la da minha indisponibilidade naquele momento de estar iniciando sua psicoterapia, fazendo a indicação e encaminhamento para outro profissional. A ética, neste caso, prevaleceu enquanto preventivo, mesmo que em meu coração, havia um clamor para acompanhar e acolher, assim como eu estava sendo acolhida em minha terapia. Foi minha primeira experiência e negar uma psicoterapia, mas estava ciente do risco de ao longo do processo projetar a minha vivência e prejudicar o processo da cliente.

Por: Mariane Manske Oechsler  mar/2015